Cavani passou testemunho a Darwin


Durante largas semanas o nome de Cavani esteve em destaque nos jornais desportivos, que de forma contínua, sempre passaram a ideia de que o seu ingresso no Benfica estava iminente. Houve até jornais que se aventuraram a confirmar o que não sabiam, e a nunca desconfirmar aquilo que iam sabendo: que a verdadeira vontade de Cavani não passava pelo campeonato Português. O dianteiro uruguaio, apesar de confirmar as negociações com o Benfica e de demonstrar respeito e conhecimento pelo clube, nunca chegou a demonstrar sinal de ceder ás suas exigências para poder rumar a Lisboa. E, no meio de tanto confirmado e desconfirmado, acabou passando o seu numero 9 reservado, para aquele que dizem ser o seu sucessor na seleção: Darwin Núñez.


O que falhou?

Em boa verdade, numa análise mais a frio, o que poderia vir a surpreender era se não tivesse falhado. Cavani, apesar dos seus 33 anos, continua a ser um dos mais letais pontas de lança da atualidade, que dificilmente não seria titular em qualquer equipa do planeta - inclusive PSG, que até queria ter contado com o dianteiro para os derradeiros jogos da Liga dos Campeões. É um jogador apetecível para qualquer equipa, mas também sabe bem o valor que tem. E por saber o valor que tem, nunca teve pressa de definir o seu futuro, por guardar esperança de receber uma oferta melhor a nível financeiro e de uma equipa que efectivamente já esteja confirmada na Liga dos Campeões. Entre as supostas equipas, encontram-se Manchester United, Atlético de Madrid, Real Madrid e Juventus como as que parecem demonstrar mais interesse. Qualquer que seja, certamente nenhuma das outras sentirá que falhou a contratação, tal como não deverá sentir o Benfica.


Ainda há esperança?

Mas, e num cenário hipotético que o Benfica assegure a entrada na Liga dos Campeões: será que Cavani repensava? Provavelmente, caso a entrada na Liga Milionária estivesse confirmada, Cavani pudesse estar no Benfica e Darwin a caminho da Alemanha, mas na realidade não é o que acontece. No entanto, não deixaria de ser um cenário impossível, embora pese que tal só poderia vir a verificar-se com a saída de Vinicius e de Seferovic, que aparentemente têm guia de marcha na mão. Os avançados mais utilizados na época anterior não parecem entrar nas contas de Jorge Jesus, e mais depressa entrará um novo elemento que encaixe na forma jogar do treinador do que uma transformação dos melhores marcadores das épocas anteriores.

Que esperar do ataque?

Com as dúvidas em relação a Vinicius e Seferovic, e sabendo que Dyego Sousa nunca chegou a contar como alternativa válida, só Darwin tem lugar garantido no plantel de Jorge Jesus, e não deverá demorar muito para se assumir como o titular do Benfica. O maior responsável, muito provavelmente será o "Não" dado por Cavani, que o capultaria para a frente do 11 ideal do Benfica. O facto de rejeitar a mudança para Portugal, acaba por ser um passar de testemunho a Darwin, que demonstrou imenso potencial e que apesar do preso elevado, tinha também outros concorrentes de peso pelo seu passe.


Entristece saber que a Liga Portuguesa perde oportunidade de contar com um Cavani, mas provavelmente entristecerá também a um Cavani se daqui a uns tempos olhar para o seu testemunho, vê-lo brilhar e pensar que poderia ser ele a bandeira deste Benfica 2.0 de Jorge Jesus. Cavani é muito grande e escreveu o seu nome na história do futebol, mas o trocar a certeza de ser figura principal numa equipa que está a ter um investimento enorme por uma incerteza de que poderá entrar numa equipa mais poderosa financeiramente poderá ser arriscado. Mas se há coisa que Cavani é bom, é em ser acertivo, pelo menos dentro de campo. Veremos se fora dele, as decisões também são "na mouche".


(Artigo de opinião escrito por Vitor Fernandes)